Textos e alguma Imagem

São Paulo, São Paulo, Brazil
Coisas sérias e bobagens

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O colecionador


     Entre uma história e outra,  ela contou de alguém que colêcionava rinocerontes, um problema dado o tamanho do animal, não, não, ele coleciona miniaturas!
     Perguntou-me então a mulher: coleciona alguma coisa? Sim respondí: colêciono gatos, gatos de todos os tipos, de louça, porcelana, de bronze, de madeira, de cerâmica e até de pano, bonitos e feios, cada um com sua característica própria, vindos de todos os cantos do mundo e convivendo pacificamente. Ah deve ter algum motivo psicológico para tanto, comentou.
     Pensei: é deve ter, não sei, sei que os coleciono porque são elegantes, altivos, e muito discretos, só não o são na hora do sexo, nessa hora o escândalo é normal entre eles.
     Mas o que gosto é da agilidade dos bichanos, eu queria mesmo é ser como eles, estar sempre pronto pro “pulo do gato”.


São Paulo, 26 de julho de 2013



Casa Vazia


A casa ficou vazia, foram-se todos, pai, mãe, irmão, quase ao mesmo tempo. Agora só tenho saudades, muitas saudades, a ausência presente junto com lembranças de vidas extintas, deserto e silencioso o lugar que hoje é só um abrigo.
Ficou o relógio de parede, marcando o tempo, cada hora e cada quarto, vazio,  tudo se foi.

sábado, 1 de junho de 2013

Reisado

Divina Estrela proteja nosso reisado.Senhora Rainha sobre o andor, olha feliz a romaria com olhos baixos e sorriso discreto, vai balançando. Seu manto estrelado brilha azul no dia de sol. Salve Rainha, Senhora das Alegrias, feliz com esse reisado. A cantoria ecoa nas ruas estreitas. O louvor vai pro céu. Nas sacadas devotos em família acompanham a procissão seguir. Salve Rainha dos que creem e cantam o refrão:
Salve Rainha Senhora das Alegrias,
Esperamos que acabe com a tristeza
Que carregamos no coração.
Divina Estrela
Proteja nosso reisado.
Viemos em romaria
Cantar e louvar  
A Senhora das Alegrias
Com seu manto estrelado.

Salve Rainha!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Os óculos e o retrato

  Helô queria óculos novos, não qualquer um, tinha que ser algo especial, como seu gosto, e lá se foram as duas, mãe e filha procurar os tais óculos.
  Depois de muito caminharem, entrarem e sairem de lojas, finalmente Helô achou o que lhe agradava, sem necessidade de qualquer ajuste, exato, perfeito, caiu como uma luva, e o melhor era o único naquela cor, Judith mandou colocar as lentes.
  Voltaram, Helô ansiosa como toda adolescente, dois dias depois para buscá-los, a felicidade ficou completa, sairam da loja a mãe a filha e os óculos novos.
  Conversavam, quando Helô muito feliz, num gesto largo, tocou os óculos e estes voaram longe, escada abaixo, silêncio e perplexidade, o sonho acabou, foi resumido a cacos azuis.
  As lágrimas seguiram o triste momento, Helô chorou muito, ficou inconsolável, porém, como  mãe é mãe, Judith tratou de arrumar algo interessante para  a filha se ocupar e sair de tamanha tristeza. Encontrou um artista que fazia retratos. Pronto, tudo resolvido.
  Quer que ele faça seu retrato, minha filha? Perguntou Judith. A filha concordou, agora um pouco mais calma, um pouco. Helô ainda com lágrimas nos olhos, sentou-se totalmente desanimada na frente do rapaz que iniciava o seu retrato. Enquanto ele faz seu retrato eu vou até a farmácia, minha cabeça dói, disse a mãe.
  Distração e outra na distância entre a farmácia e o artista, afinal é pra isso que servem os shoppings, para nos distrair, chegou.
   Por cima do ombro do artista a mãe olhou para filha ainda com os olhos molhados, fitou-a, e em seguida para o retrato.

  O rapaz por conta dos olhos molhados, desenhou-os como se fossem claros. A mãe levou um susto, pois o retrato se parecia mais com a sua mãe, a avó, do que com a sua filha, a Helô. A avó e a neta tão parecidas e Judith nunca tinha se dado conta de tão grande semelhança. A forte emoção fê-la desmanchar-se em lágrimas. Pegaram o retrato, entreolharam-se e sairam as duas com os olhos brilhantes, inundados de lágrimas: a filha por causa dos óculos e a mãe pelo retrato.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Correu muito
Chegou ofegante
Ele não estava mais
O caos sempre se supera, a arte sempre se renova.
Prateleira

Ela olhou
Viu tudo caído
Exclamou:
Oh não!
Ela desabrochou
Linda
Rosa
Como o amanhecer
Depois
Anoiteceu
Pelo mercado

Comeu, comeu, comeu
Engordou
Ficou loura
Em tamancos altíssimos
Os peitos e a barriga
Ficaram mais longe do chão
Sentou-se e comeu outra vez

A costureira

Acabou o roupão
faltou o cinto
costurou com cuidado
A arma de que foi vítima

quarta-feira, 22 de maio de 2013




Orfandade dos mortos


Me recordo o dia
Não sei quem registrou
Meu pai, minha mulher, e eu
Estamos sorrindo
Felizes
Todos
Ausência
A dor a levou
Meu pai também se foi
Silencioso, sem dor
Registros dos sorrisos
De outros tempos
Outras cores
Como a memória
Que as vai suavizando
Até apaga-las



São Paulo, 18 de abril de 2013



Desfeito

Acabou
Triste isso
O longo tempo do fazer
e o breve desfazer
Atar
Amar
Ligar
Confiar
Encontrar
Respeitar
Triste desatar
Desencontrar 
Desconfiar
Desatar laços
Familiares são os piores
Fica-se orfão de irmãos
por deslealdade
 desonestidade
É desprezar
Tudo que muito se prezou

São Paulo,10 de março de 2013


Reflexão

Ele tinha o dedo no nariz
Cutucava tão fundo
Que parecia tocar o cérebro
O ar pensativo confirmava isso





Por favor 

Não me diga que escrevo bobagens 
Eu sei muito bem o que escrevo,
Bobagens


São Paulo, 20 de maio de 2013


Notícias de Paraty

A literatura me chegou, embrulhava o mamão
Falava de valter hugo mãe
Ganhei a Fábrica de Espanhóis



Escrevo coisas simples, não gosto de polêmicas, eu gosto e escândalos



Escrevo coisas simples, não gosto de polêmicas, eu gosto de escândalos.
Olhando no espelho

Pensei: Estou careca
Mas considerando bem...
Ainda tem uma penugem
Penugem?
Isso é coisa de pato
São tão amarelinhos
Mas minhas penugens são brancas
Os patos depois de crescidos as penugens viram penas
Ao contrário de mim
Já maduro tenho penugens
Brancas
E também penas
Tantas que a vida deixou



São Paulo,02 de abril de 2013